sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

BORDADO É ARTE? E TERAPIA?


O bordado é a arte de enfeitar os tecidos com desenhos feitos com fios. Há quem diga que bordar não é arte, nem terapêutico. Como arte assemelha-se a pintura. O pintor usa tintas para preencher a tela ou outro suporte qualquer. E qual a diferença se o suporte é um tecido e, em vez de tintas, usa-se fios? Para mim, não há diferença. Além disso, estudos provam que o bordado segue os princípios fundamentais das artes visuais, permitindo que quem o pratica se vale de uma linguagem visual com uma técnica própria, diferenciada e atrativa pela qual podemos ler, compreender e interpretar as imagens produzidas. Logo, é arte.

Como terapia, colocamos muito de nós mesmos num bordado. A escolha do motivo, das cores a serem empregadas, a escolha dos pontos a preenche-lo são itens que revelam muito de nós, como gostos e preferências, personalidade, paciência, perseverança, habilidades, capacidades e sentimentos. Portanto, é terapêutico.


Como já vimos, sua origem é muito antiga. No princípio, os bordados eram feitos a mão, com agulhas de diferentes grossuras e feitios (inclusive a de crochê). Mais recentemente, passou-se a usar máquinas para fazê-los. Sua utilidade também é variada. Pode-se usá-lo em vestimentas, na decoração de ambientes e em logomarcas industriais e esportivas.

Os tecidos, como suportes dos bordados, são variadíssimos. Vão dos tecidos mais finos e delicados aos mais grossos ou mais rústicos (como a juta) por exemplo. E geralmente, são lisos e na cor que cada um desejar.

Os motivos (dos mais variados) vão de flores a paisagens. Os motivos florais são mais utilizados em peças do vestuário e em peças decorativas como toalhas de mesa, de jogos de toalhas de mãos, rosto e banho ou jogos de toalhas pequenas usadas sobre os móveis. As paisagens são preferidas em peças decorativas mais duradouras, como quadros, tapetes e colchas. Há também motivos folclóricos. São aqueles representativos de uma determinada região, de uma época ou da cultura de um povo e são muito valorizados como os tapetes persas, os bordados da Ilha da Madeira, por exemplo.
São agulhas comuns, fáceis de encontrar.

A agulha deve ser apropriada para o tecido escolhido: finas para os tecidos mais delicados e grossas para os mais grossos. Podem ser usadas também as agulhas de crochê nesses bordados (em tapetes, principalmente).

Os fios usados nos bordados são os mais variados possível. Podem ser de algodão, seda, linhos, lãs, ráfia, fios de ouro e de prata, fios de fibras sintéticas como os de nylon, acrílico e celofane. Recentemente, passou-se a usar fitas e tecidos aplicados em alguns bordados de cunho artístico, como quadros por exemplo. 
  
As linhas para bordar são encontradas em meadas 
ou novelos pequenos ou grandes.

Pode-se ainda complementar o trabalho de bordado com materiais preciosos como o ouro, a prata, pérolas, outras pedras preciosas, lantejoulas e canutilhos ou com materiais rústicos, como sementes, conchas, palha, contas de vidro ou de madeira, palha etc. E sempre com excelentes resultados visuais. Como exemplo, cito os vestidos de noiva ou para as noites de festas, de espetáculos musicais e nas fantasias carnavalescas do Brasil que possuem aplicação de strass, lantejoulas e canutilhos, pérolas e outros ornamentos.

Os pontos variam entre os mais simples (como o “ponto atrás ou haste”, o “caseado”) e os mais complexos (embora sua execução não seja nada difíceis de serem feitos, como os pontos “cheio” e o “matizado”) podem ser realizados numa só cor ou todo colorido. Qualquer pessoa (homens ou mulheres) pode bordar e realizar qualquer ponto.

TIPOS DE REALIZAÇÃO DOS BORDADOS

Como já dissemos, os bordados podem ser realizados a mão ou a máquina. Os manuais são mais valorizados pois levam mais tempo para serem concluídos. Já o bordado a máquina é bem mais rápido e mais produtivo em termos comerciais. 


Embora não apresente a mesma qualidade que o manual, é a preferência popular no momento. Quando se fala em qualidade, não nos referimos ao direito do trabalho. toda bordadeira sabe que o avesso deve ser tão perfeito quanto o direito da peça. Por isso, todas as bordadeiras tratam de não deixarem fios atravessados  e nós aparecendo do lado do avesso. o que não acontece com os trabalhos feitos a máquina.  Mas falaremos mais disso em outra oportunidade. Talvez  por isso, seja o fato de muita gente achar que o bordado não é arte, rebaixando-o à categoria de artesanato.


Nos bordados podem ainda ser realizados com uma peça chamada “bastidor”, que auxilia o bordador a manter o tecido esticado.  O mais conhecido são os bastidores circulares fixos ou os ajustáveis e a custo baixo. Mas dependendo do trabalho a ser feito, podem ser usados os bastidores quadrados ou os retangulares. Como estes são menos comuns podem ser feitos em casa ou encomendados, embora sejam encontrados em algumas lojas especializadas em artigos para bordados, portanto, um pouco mais caros.

OS BORDADOS MANUAIS.

Os bordados manuais podem ser:


PLANOS - Os bordados planos são os mais comuns. Sobre o risco do motivo no tecido aplicam-se um ou vários tipos de pontos adequados a esse motivo.


RENDADOS - Os bordados rendados são aqueles que se assemelham a uma renda. Primeiro, borda- se o motivo desejado. Depois de pronto, com uma tesoura pequena e afiada recortam-se os espaços vazios entre os pontos ou fora deles, como por exemplo, o “rechelieu”.
Continua


EM RELEVO - Os bordados em relevo mais parecem uma escultura do que um bordado. Esses relevos são feitos com os motivos escolhidos e confeccionados com fitas, com o próprio tecido ou tecidos diferentes. Surgem em peças mistas, onde os relevos completam os motivos dos bordados planos.

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sábado, 9 de dezembro de 2017

BORDADO


Ao perderem os pelos que cobriam seus corpos, os hominídeos passaram a cobri-los com peles de animais para enfrentarem o frio rigoroso das localidades onde paravam para descansar de suas caminhadas, já que eram nômades. Mais tarde, passaram a amarrá-las ao corpo. Porém, ao construírem os primeiros abrigos estruturados com galhos e cobertos com peles de animais, alguém teve a ideia de fazer uma amarração para evitar que fossem levadas pelos ventos. E inventavam a costura, que pouco depois, foi utilizada na confecção das primeiras roupas. Para facilitar o trabalho inventaram um utensílio importantíssimo: a agulha. A princípio eram feitas de ossos e, bem mais tarde, de madeira. O tempo aprimorou as agulhas e as costuras. E com esse aprimoramento ambas chegaram aos dias de hoje.
 

 Os humanos, nas sociedades primitivas antigas, sempre gostaram de se enfeitar. Usaram ossos, penas e pedras amarradas a fios da própria natureza e pinturas no corpo e face para anunciar o status de liderança. 


Com a descoberta dos metais, fizeram armas armaduras para defesa nas lutas e para a distinção dos mais valentes. As coroas e joias distinguiam a nobreza da ralé.  E no meio disso tudo, surge um movo modo de mostrar suas riquezas, de mostrar seu status e de se diferenciar dos demais: o “bordado”.



Quem o inventou, quando e onde é impossível saber com certeza, pois não haviam documentos escritos. O que sabemos ou tentamos saber é apenas através de monumentos antigos, esculturas, pinturas e gravuras onde foram representados. E através dessas obras de arte podemos formalizar um pouco de sua história.


Nas margens do Rio Eufrates, muitas civilizações antigas se desenvolveram. E nessas civilizações o bordado era muito cultivado. Nos monumentos gregos pode notar os bordados nas túnicas dos deuses, semideuses e heróis ali representados. Homero fala dos bordados de Helena e Andrômaca na passagem da guerra de Tróia. Os hebreus citam Moema como a inventora do bordado e foi muito usado entre eles. E na Bíblia existem inúmeras passagens que fazem menção aos bordados.

almofada bordada Egito - séc IV

tapeçaria da Grécia Antiga


Dos povos antigos, os romanos foram os que menos se valeram do bordado até a formação do império. No entanto, foram os romanos que fizeram com que o bordado se espalhasse pelo mundo. Tornou-se uma verdadeira “febre” a partir do século VII.

bordado de figuras sacras - Itália

Via-se bordados por toda parte, da plebe à corte. As abadias e mosteiros transformavam-se em oficinas e ensinavam a quem quisesse aprender. Não durou muito para que nos séculos seguintes aparecessem armas, escudos, brasões, flâmulas e bandeiras bordadas em cores e em ouro e prata. Já no século XVI, surgem os bordados de imagens de figuras e fatos religiosos e históricos que assemelhavam-se às pinturas.

Desse modo, a Itália tornava-se o maior centro das artes (bordado) do mundo, servindo de inspiração cultural e econômica para toda a Europa.
Com o tempo, surge a necessidade de inovar. Os bordados que antes eram planos ou em relevo, passam a ter recortes formando uma espécie de rendado. Na Renascença, o bordado se transforma numa arte puramente decorativa (artesanato) de interiores como as tapeçarias, estofos para móveis, reposteiros com outros temas que não fossem os religiosos.

                            toalhinhas para móveis                             toalhas de mesa

As toalhas de mesa e as famosas “toalhinhas para móveis” surgem no século XVII. E no século XVIII, os bordados estão nas roupas íntimas brancas e com desenhos mais delicados e cor.

Então chega a modernidade, a industrialização e suas máquinas. O bordado manual demorava meses para ficar pronto dependendo do tamanho da peça. Por isso, um operário de nacionalidade francesa inventa, em 1821, a primeira máquina de bordar. Sua intenção era facilitar o trabalho das bordadeiras e, logicamente, poderem ganhar mais. 
A máquina proporcionava mais rapidez na produção e na multiplicação das peças. A novidade foi bem aceita no início, apesar de perder a qualidade, a elegância e a exclusividade das peças artesanais. Por isso, o século XIX vê o bordado entrar em declínio. No entanto, no final desse século, surge um movimento encabeçado por William Morris, cujo nome era “Artes e Ofícios”, que deu nova vida aos bordados.

O século XX, apesar da boa convivência entre os bordados manuais dos mais variados tipos e gêneros e as reproduções mecânicas mais modernizadas, ocorre um fato interessantíssimo: alguns gêneros feitos manualmente caem em desuso, enquanto outros fazem o maior sucesso. É o caso dos manuais, bordados em branco sobre tecidos da mesma cor e que se tornaram símbolo de alto status social. Até os anos de 1950, era chique usar bordados com desenhos ou monogramas em branco sobre branco em toalhas de mesa lenços e enxoval de bebês e que ficou conhecido como “bordado da Ilha da Madeira”. Na verdade, o bordado da Ilha da Madeira era executado em fios de cor azul (ou outra cor) mas sempre em tons claros sobre tecido branco.

Outro acontecimento foram as aplicações complementares (como missangas, pérolas e lantejoulas ou bordados recortados) trazendo de volta o gosto pelos trabalhos manuais.

Houve um tempo, em uma moça que pretendesse se casar e ser considerada uma boa esposa, precisava aprender a bordar entre outros atributos domésticos. Mas com o tempo, isso deixou de ser uma condição necessária. Estamos no século XXI e os bordados continuam sendo prestigiados. Ganharam novos motivos, inspirações, vitalidade e utilidade. Os bordados enriquecem a decoração dos ambientes, identificam empresas, clubes, times de futebol e outros esportes por meio de suas logomarcas bordadas, torna-se um meio de produzir riquezas e fazer parte da economia de um país pela produtividade, qualidade e eficiência, de agregar valores culturais e de embelezar qualquer peça.

Traz ainda, satisfação pessoal e ser uma forma terapêutica, se for feito manualmente e, ascensão econômica e social, se realizado por meio das máquinas. Conclui-se que todo ser humano de posse de agulha, linhas e um pedaço de tecido pode aprender a bordar e ganhar a vida bordando.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

TRICÔ MANUAL

O tricô manual é aquele em que usamos duas agulhas, passando cada ponto de uma agulha para a outra sucessivamente até o final da carreira.


De todos as formas de confeccionar uma peça de tricô, esta é a mais prazerosa e a que exige mais habilidade, mais atenção e mais concentração e, portanto, a forma mais terapêutica. É preciso manter o foco no desenho (se a peça tiver), pois qualquer deslize da atenção, o desenho fica disforme.

COMO COLOCAR OS PONTOS NA AGULHA PARA INICIAR UM TRABALHO?


COMO FAZER OS PONTOS BÁSICOS

1- PONTO TRICÔ

2- PONTO MEIA


3- CARREIRAS SUCESSIVA DE PONTO MEIA E TRICÔ


PONTO DE BARRA  INGLESA ou PONTO SANFONA

Este ponto fantasia que serve para fazermos barras, punhos e golas em blusas e casacos de linha ou lã. Você pode variar, neste ponto, a quantidade de pontos meias e de tricôs. Ex:  2 m e 2 t ou 3 m e 3 t. A largura da barra fica a seu critério e do seu gosto. Eu, pessoalmente, prefiro 1 m e 1 t.

Veja como fazê-lo:
Até mais.....

domingo, 29 de outubro de 2017

TRICÔ ARTESANAL

A arte de tecer é antiga e prazerosa. E podemos tricotar de várias maneiras: com máquinas portáteis, teares manuais ou com duas agulhas.

AS MÁQUINAS PORTÁTEIS


As máquinas portáteis possuem um carro que desliza sobre um conjunto de agulhas e tece em movimentos de vai e vem. Podem realizar inúmeros pontos.

As vantagens são: a facilidade é tê-las em nossas próprias casas: a) tecer peças para uso próprio ou para negociar; b) as peças saem por um custo bem baixo; c) a redução do tempo da confecção de uma peça. As desvantagens é que essas máquinas só trabalham com fios finos ou de espessura média; não fazem trabalhos circulares; o resultado final fica bem parecido com as peças industrializadas e o preço dessas máquinas são caros. Caros também são as peças de reposição e o conserto (principalmente do carro), pois exige mão-de-obra especializada.

OS TEARES MANUAIS

tear de pregos (outro tipo de tear manual) são usados por pessoas que gostam de trabalhos mais artesanais e confeccionar suas próprias peças. Veja este tear manual, feito de plástico. É fácil de montar e de tricotar.

tear manual de plástico


 
tear de prego - para trabalhos retos e, abaixo, para trabalhos circulares (em plástico ou madeira)

Esse tear consiste em um quadro de madeira (de vários tamanhos) com uma série de pregos colocados a uma distância regular.  Ou ainda, na forma circular (também de vários tamanhos) feitas de plástico ou madeira com pregos. Trabalhar com estes teares é muito simples. Assista ao vídeo e comprove:


A vantagem é a de ser mais rápido que a confecção com duas agulhas, dependendo da habilidade de cada um; permite uma infinidade de pontos; trabalhar com duas ou mais cores; não há restrição para a espessura do fio (do mais fino ao mais grosso); pode-se trabalhar com linhas, barbantes ou lãs; o custo deste tear é baixíssimo e pode-se adquiri-los em qualquer loja de fios para tricô ou crochê ou você mesmo pode confeccionar um; é bem durável (vale o investimento); confecciona peças para uso próprio e para negociar. Além do mais, trabalhar com esses teares é terapêutico. Quanto ao conserto, se um prego soltar, basta martela-lo de volta. 


TRABALHANDO COM DUAS AGULHAS

Para mim, é o modo mais prazeroso. Ao chegar ao final e ver que a peça foi tecida por você ponto a ponto, não há preço que pague. Mas exige uma certa habilidade, atenção e concentração. Por isso, é mais terapêutico que os modos anteriores.


A vantagem é que o par de agulhas é bem mais em conta que o tear manual, são encontradas em várias espessuras (da mais fina até a mais grossa) e é um bem durável desde que se tenha um pouco de cuidado ao guardá-las. Trabalha-se com qualquer tipo (lã, linha ou barbante) e espessura de fio, confecciona-se qualquer tipo de peça e uma infinidade de pontos fantasia e com uma ou mais cores. E não há limite para a criatividade.

Quando menina, via minha avó tecer meias e luvas com quatro agulhas. Eu achava isso muito difícil. Hoje em dia, este trabalho é facilitado pelas agulhas circulares.

OS FIOS

  
                                cones                   novelo grande           novelos de lã                  

No tricô artesanal o custo maior é o dos fios. Lãs e linhas podem ser encontrados em cones ou novelos. Para trabalhos mais longos como vestidos, calças compridas e casacos compridos os mais indicados são os cones pois evitam as emendas de fios e saem mais em conta. Mas para peças menores, os mais indicados são os novelos.
O tricô é trabalho em carreiras de ida e de volta.

PONTOS BÁSICOS

ponto meia

ponto tricô


O tricô, assim como crochê, possui dois pontos básicos: o ponto meia (também conhecido como ponto Jersey) e o ponto tricô (que é o avesso do ponto meia).

PONTOS FANTASIA

A junção dos pontos meia e tricô, seguidas ou não de laçadas ou de pontos sem tecer, formam uma infinidade de pontos fantasia. Veja alguns:

 




RECEITA DE PONTOS

Alguns desenhos feitos no tricô exigem uma receita. E para seguir essa receita é preciso que conheçamos bem as abreviaturas de cada um dos pontos básicos e de outros usados. Como por exemplo:

carr: carreira
m: ponto meia
t: ponto tricô
laç: laçada (uma ou duas voltas da linha na agulha)
2pj: dois pontos juntos
*2 t, 2 m*: seguir esses pontos até o final da carreira (barra inglesa)
aum: aumentos
dim:diminuições
repetir de * a *: usado quando se tratar de um desenho e devemos repetir os pontos dentro desses asteriscos até o final da carreira.

Veja um exemplo;


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

DO CROCHÊ PARA O TRICÔ


O tricô é bem mais antigo que o crochê. Embora não se saiba onde, quando ou quem começou, sabe-se por achados arqueológicos que é uma prática milenar. E com essas informações pode-se traçar, mesmo que em linhas gerais, um pouco de sua história.

Em escavações arqueológicas foram encontrados vestígios de peças tecidas em lã ou algodão. Por sabermos que esses materiais são facilmente decompostos pela ação do tempo, esses vestígios nos levam a supor que, em épocas muito remotas as pessoas já teciam manualmente.

Em buscas arqueológicas realizadas no Egito, os arqueólogos encontraram pedaços de meias tricotadas que datam de 1.000 anos a/C. Essas peças possuíam muitas imperfeições, porém continham desenhos bastante complicados. Isto que nos leva a crer que, o progresso do tricô foi desenvolvido ao longo de milhares de anos, num processo de tentativas e erros e que fizeram com que essa habilidade chegasse aos dias de hoje.

Uma alusão ao tricô, está expressa na “Odisséia” de Homero e que, provavelmente, data do final do século VIII a/C. Numa das histórias retratadas nessa obra, Penélope, esposa de Ulisses andava triste e preocupada, pois o marido havia saída em viagem e demorava a regressar. Por causa dessa demora, o pai da moça, manda que ela procure um novo marido. Para evitar essa escolha e ganhar tempo, Penélope começa a tece uma túnica e diz ao pai que só fará a escolha quando a terminar. Porém, o que era tecido durante o dia, ela desmanchava durante a noite. Assim, ganhava tempo e esperava que o marido retornasse da viagem. 


Uma outra alusão mais tardia é o quadro “Visita do Anjo”, do Mestre Bertram e que data do século XVI d/C. Nesta obra a Virgem Maria é retratada tricotando uma camisola (blusa) com 5 agulhas.

Arquivo arqueológico da primeira agulha de tricô 

Em 1964, uma equipe de arqueólogos encabeçada por Anne Stine Ingstad e seu marido (ambos noruegueses) descobre uma agulha de tricô numa escavação realizada em L’Anse aux Meadows (Terra Nova, Canadá). Exames realizados com carbono 14 nessa agulha revelam que ela data de 1000 anos de nossa era. Acredita-se que essa localidade tenha sido uma aldeia vicking.

Como se pode perceber por esta pequena cronologia, o tricô é uma atividade muito antiga. Trata-se da habilidade que os humanos desenvolveram ao longo do tempo e que se pode definir como sendo a  “arte de entrelaçar fios por meio de duas ou mais agulhas”. Com isso, pode-se dar ao trabalho a forma desejada, seja ela reta ou circular.

Sabe-se que nossos antepassados usavam como fios o algodão ou lã, devido as atividades agrícolas ou pastoris instaladas na região e, com esses materiais faziam os fios. Mais tarde, descobriram outros materiais como a caxemira e o linho

No entanto, era ainda bastante rudimentar no seu início e poucas pessoas tinham essa habilidade. Presume-se que a massificação dessa habilidade tenha ocorrido no Egito. Mas foi na Europa Medieval que essa prática se tornou constante e utilizada não só no vestuário comum e eclesiástico, como também em tapeçarias e bordados onde as peças de lã ou algodão eram tingidos com várias cores e tinham desenhos diversos e complexos.

O escritor e pesquisador Le Goff afirma que as artesãs medievais teciam e vendiam seus trabalhos nas lojas dos maridos ou de outros grandes comerciantes. 

                                                            Artesã da era medieval

A ocupação da mulher na Era Medieval era uma preocupação constante. Acreditava-se na ocasião, que a mulher tinha maior valia se colaborasse nas finanças da família. Por isso, os pais colocavam as meninas para aprenderem trabalhos manuais peque-nas. Por outro lado,  preocupavam-se  também com o  futuro delas, caso anos  mais tarde enviuvassem ou passassem por situação de pobreza. E sabendo fazer alguma coisa, teriam como sobreviver e se manter.
Primeira máquina de tricotar 

A primeira máquina de tricotar foi  inventada em 1589, pelo inglês William Lee. Essa máquina possuía os princípios  fundamentais de funcionamento e que vigoram nas máquinas da atualidade (século XXI). Porém, apenas no século XIX que essa máquina se popularizou por causa da industrialização.  Desde então, adquiriam grande impor-tância, principalmente nas guerras locais ou mundiais, onde fabricavam o vestuário de civis e militares.

O TRICÔ NOS DIAS ATUAIS

                         
Grupo de mulheres fazendo tricô  

artesã do final do século XIX

Essa habilidade conquistada ao longo das várias eras geológicas vem sendo desprezada desde a chegada da industrialização. No entanto, em meados do século XX foi quase que totalmente abandonada com a pecha de estar ultrapassada. A maioria da população procura cada vez mais os produtos industrializados do que os confecciona. E hoje em dia, essa habilidade é considerada como um trabalho de segunda classe, como passatempo ou como um negócio pequeno ou de pouco valor financeiro. Mas a verdade é que o tricô (assim como o crochê) nunca caiu de moda. Há sempre quem queira uma peça exclusiva e original, já que a indústria confecciona milhares de peças exatamente iguais.


Peça feita em máquina de tricotar industrial, onde  
milhares são produzidas exatamente iguais 

Embora não haja mais a necessidade de confeccioná-las para a sobrevivência como aconteceu na Idade Média, há sempre um lucro extra envolvido para quem se dedica a essa prática. Seja para vender, para o uso pessoal ou da família, por diversão, passar o tempo, costumizar um vestuário fora da moda ou por necessidade de terapia ocupacional, o tricô não impõe limites à criatividade e está constantemente se aperfeiçoando. E sempre é muito bom tricotar.

Os fios são apresentados em novelos, cones, meadas de lãs e linhas 
numa variedade incrível de cores e texturas


As indústrias de fios lançam inúmeros tipos deles (com ou sem texturas, grossuras e em cores variadas, brilhantes ou opacos) que sugerem uma infinidade de desenhos e modelos para as peças. E ainda podem ser combinados com tecidos de texturas variadas, além do couro ou materiais sintéticos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

VOCÊ CONHECE O CROCHÊ DE GRAMPO?

Dizem que este tipo de crochê foi inventado por espanholas que usavam seus próprios enfeites de cabelos. Em Portugal e na Espanha é conhecido com crochê de grampo. Mas também adquire os nomes de forquilha, garfinho ou telar de jacquar em outras partes do mundo.

formato mais antigo

 
formatos mais recentes

O grampo nada mais é do que uma peça de madeira em formato de U e que possui várias aberturas (3, 5, 7 e 19 cm entre as hastes desse U). E pode ser comprada em qualquer loja que venda lãs e linhas para tricô e crochê. Mas você também pode construir o seu com tubos de PVC.




Com essa peça podemos tecer belíssimas peças para verão ou para o inverno. E é muito fácil e rápido de fazer. O ponto mais utilizado é o ponto baixo.  
Vejam:

 
blusas

echarpe

 
para usar com short ou calças compridas e saídas de praia 


ponchos e pelerines
 
vestidos


além de roupas infantis e tapetes, caminhos de mesa, almofadas, colchas e o que mais sua criatividade te levar a criar.

E para aprender como se faz, é só assistir aos vídeos.


aula 1

aula 2

Gostou? Eu amei... e quero aprender a fazê-lo.