quinta-feira, 17 de maio de 2018

POR QUE RECICLAR?

Para reciclar é preciso que os materiais sejam separados em categorias: materiais orgânicos metais, plásticos, vidros e papéis. Todos estes de “lixos” são reaproveitados.


O alumínio encontrado nas latinhas de refrigerante e de cerveja, por exemplo, é um tipo de material que possui quase 100% de reaproveitamento. As industrias derretem esse material e produzem novas embalagens para produtos consumíveis ou para as bebidas. Igualmente ocorre com os plásticos, latas e vidros.


Observem as imagens abaixo:


Esta montanha de sucata de metais como ferro, aço 
e outros podem ser transformados nisto:

 

Quantas coisas!

 
  E tem muito mais.

Os outros metais, como o ferro por exemplo, são derretidos e com eles as indústrias fazem vigas e cilindros usados na construção civil, em novas ferramentas e no fabrico de materiais alternativos de alta durabilidade.


COMO FUNCIONA A INDÚSTRIA EXTRATIVISTA

Imagine uma região parecida com esta. Repleta de arvores, muitas plantas nativas e ar puro. Aí chegam as industrias extrativas para explorar as riquezas encontradas no solo e subsolo.


Chegam as máquinas e retiram da terra o que ela tem de
 mais precioso: os metais. 


E em pouco tempo, essa região fica 
assim: sulcada, seca e pobre.


Essa é a importância principal da reciclagem dos materiais retirados da terra: evitar a degradação do solo e subsolo nosso planeta. Uma preocupação que não é só dos brasileiros, mas do mundo todo.


RECICLAGEM NA INDÚSTRIA

As indústrias estão procurando a reciclagem porque os benefícios são muitos e variados. Os principais são:


1- Os metais para serem usados precisam ser retirados do solo pelas indústrias extrativistas. E para esta extração é necessário que se cavem galerias subterrâneas que tornam o subsolo frágil havendo, em alguns momentos (chuvas, por exemplo), a acomodação do solo e causando os desabamentos. 

O custo do material metálico é muito alto para a indústria siderúrgica por que paga pela matéria-prima e ainda precisa derreter as rochas em temperaturas altíssimas, separar o metal de outras substâncias e fazer chapas metálicas que serão vendidas posteriormente a indústrias específicas.

Cabe a cada indústria específica (a do ferro, por exemplo), o fabrico de peças, ferramentas, vigas, varões etc usadas na construção civil ou na indústria automobilística, no fabrico de motores e eixos. A venda destes produtos fica mais encarecidas ainda. E assim por diante. Ao consumidor final cabe pagar o preço mais alto de toda esta cadeia produtiva.

Se devolvermos para a indústria o que já não nos serve como consumidores finais, pulamos a fase extrativista, as indústrias da cadeia produtiva gastam menos e o produto final fica mais em conta para todos. Sem contar que, sem a indústria extrativa a todo vapor, pode ajudar a reparar os danos causados ao solo e subsolo para que novos acidentes não ocorram.


2- Outro benefício da reciclagem é a produção de novos empregos que vem surgindo nas grandes cidades. Alguns desses empregos são formalizados, mas uma parte ainda maior, é uso informal dessa fonte de trabalho. Ainda ajuda as pessoas mais carentes a se manterem e manterem suas famílias. Como exemplo, cito as Cooperativas de Catadores de Papel e Alumínio.


3- Com a reciclagem viveremos num mundo melhor e com menos contaminação pelo lixo produzido. Nossa saúde e o planeta agradecem.

O mesmo acontece com vidros, borrachas e materiais plásticos. Esses são derretidos e refeitos em forma de novos objetos. E se queremos um mundo melhor, por que não colaborarmos com a reciclagem desses materiais?

Se caso ainda tenham dúvida quanto a reciclagem, confira a tabela abaixo:

TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS NA NATUREZA
Jornal ...........................................................................................
2 a 4 semanas
Embalagens de papel.......................
3 meses
Casca de frutas e guardanapos de papel ..................................
2 anos
Chicletes ......................................................................................
5 anos
Latas de aço ................................................................................
10 anos
Nylon.............................................................................................
30 a 40 anos
Embalagens de leite longa vida ................................................
Até de 100 anos
Embalagens Pet ..........................................................................
Mais de 100 anos
Latas de alumínio, tampa de garrafas e pilhas ........................
De 100 a 500 anos
Alumínio ......................................................................................
200 a 500 anos
Metais e embalagens de plástico (embalagens e equipamentos) ............................................................................

450 anos
Esponjas, garrafas e potes de vidro, louças, luvas de borracha, cerâmica vitrificada,
Tempo indeterminado



RECICLAGEM ARTÍSTICA

Chamamos de reciclagem artística quando entram a criatividade, imaginação, originalidade, planejamento, técnica de produção e o acabamento de uma peça, cujo material foi reciclado. O objetivo desses trabalhos é a da decoração dos ambientes de uso próprio, para presentear ou vender no varejo.

Neste tipo de reciclagem muitos materiais podem ser usados: papel, papelões de todas as gramaturas, tecidos grossos ou finos, rendas, fitas, tintas, flores e folhas naturais ou artificiais, isopor, latas, vidros, plásticos também podem ser usados, assim como vários tipos de grãos e sementes, cascas de ovos e de frutas já secas, pedras e tudo o mais que se queira usar.

Sabem do que foi feita esta bela mesa de centro? 


Feito com capricho e com um bom acabamento, ninguém diz que é reciclado. Com relação ao preço de custo para a confecção é bem baixo (o mínimo possível) o que se contrapõe ao artesanato, onde se deve incluir o custo todos os materiais. A resposta feita na legenda da imagem acima é: de papelão e jornais velhos.

Vejam outros trabalhos reciclados:

Castiçal feito com latinhas de refrigerantes ou de cerveja.

Alguém advinha do que foram feitos estes vasos?  Se disseram 
que são de porcelana erraram. São feitos de jornal ou
 de folha de revistas. Impecáveis, não são?

E basta procurar um pouco para se ter inúmeras ideias de como reciclar. Querem aprender a reciclar? O Youtube mostra passo a passo como fazer tudo o que você desejar.

Quanto a revenda destes produtos reciclados também é bem mais em conta para o consumidor porque o preço inclui apenas a mão-de-obra e alguns poucos materiais. Ao contrário das peças de artesanato, que além da mão-de-obra estão inclusos os materiais. Para quem revende, os produtos reciclados dão um bom lucro, já que os custos para a confecção são baixíssimos.

terça-feira, 8 de maio de 2018

ARTESANATO E RECICLAGEM

Muitas pessoas confundem artesanato com reciclagem. Ambos se incluem nas artes visuais, podem ser ou não produzidos com fins lucrativos, além de serem bonitos e expressivos. A única diferença está no material a ser usado.

   

No artesanato o material é novo, ou seja, usado pela primeira vez. 


Na reciclagem, o material já foi usado para um determinado fim e é reutilizado de forma criativa, transformando-o em outra coisa. Uma lata de tinta, por exemplo, pode vir a ser transformada numa floreira, num porta-trecos e assim por diante. Na reciclagem não há limites de reaproveitamento de um material, enquanto este permitir essas mudanças. Já no artesanato, o material é usado uma única vez.

A reciclagem surgiu da tomada de consciência de o nosso planeta está precisando de ajuda e de proteção, porque ele está sendo sufocado e contaminado pela enorme quantidade de lixo que produzimos diariamente.

Triste, não é mesmo?

Essa tomada consciência vem desde a década de 1980, quando surgiram as embalagens descartáveis que, embora práticas, aumentaram assustadoramente a produção do lixo em todos os países. E o seu descarte passou a se tornar um problema para os governos. Preocupados em encontrar lugar apropriado e descarte seguro para esse lixo, os governos encomendaram uma série de pesquisas. A conclusão dessas pesquisas foi a de que alguns componentes dessas embalagens levavam séculos para se decomporem na natureza, como por exemplo, os objetos feitos de plástico. Concluíram também que a demora nessa decomposição contaminava o solo e o subsolo e, consequentemente afetaria a água potável e a produção de alimentos. Concluíram também que, continuando a produzir uma quantidade indiscriminada de lixo, em menos de um século estaríamos mergulhados em um mar de lixo tão grande e extenso, que não haveria mais espaço para os humanos.

Alguém gosta de ver isto?

O fato é que o acúmulo de lixo colocado a céu aberto é prejudicial para todos. O chorume (líquido escuro e viscoso que sai do lixo em decomposição) é insuportável. Além do mau odor que exala, é altamente poluente do ar. Infiltrado na terra, contamina o solo e o lençol freático (veios de água que caminham sob o solo e vão formar os rios) e os próprios rios.  Além do que, é altamente nociva à saúde pela proliferação de insetos, roedores e aracnídeos (aranhas e escorpiões), que carregam para dentro de nossas inúmeros vírus e bactérias dando origem a uma série de doenças que podem levar as pessoas a óbito.

Um amplo programa de conscientização da população e de informação sobre o assunto e seus perigos foram feitas pelos governos, alinhando o crescimento econômico com a proteção ao ambiente. A mídia também tem feito a sua parte, lançando campanhas sobre a importância da coleta seletiva, ou seja, da separação do lixo. Todos estes materiais podem ser reciclados.



Símbolo Internacional da reciclagem


quinta-feira, 19 de abril de 2018

TIPOS DE ARTESANATO

O artesanato se divide em três grandes grupos e com inúmeras possibilidades de ação. São eles:  o artesanato erudito, o artesanato popular e o artesanato folclórico. Um artesão pode se especializar num destes setores ou, dependendo da demanda ou da necessidade, permear entre eles.

São considerados “artesanatos eruditos” os trabalhos em cerâmica, funilaria, couro de animais, trançados de fibras vegetais, uso de chifres e dentes de animais (os chamados sedenhos), esculturas, entalhes em madeira, pedra guaraná ou sabão. Incluem-se ainda o fabrico de farinhas (mandioca, outras raízes e sementes), a construção de engenhocas (os monjolos e moinhos) e instrumentos musicais.

Veja alguns exemplos:

escultura

 
cerâmica

utilitários com fibras vegetais e bambu

Já os “artesanatos populares” incluem as caixas decoradas, a confecção de bijuterias, crochê, tricô, os bordados, rendas, as colagens com papel e outros materiais, a pintura em toalhas (de mesa e banho), panos de prato, lençóis e peças do vestuário.

bonecas e peças de cama, mesa e banho 
bordadas ou pintadas

caixas enfeitadas

crochê

São considerados “artesanatos folclóricos”, os trabalhos com cerâmica decorativa, cestarias com fibras vegetais, confecção de bonecas de barro ou sabugo de alguns vegetais. Há quem diga que o artesanato faz parte de do folclore. Mas recentes pesquisas revelam que o folclore é uma parte ou uma das modalidades do artesanato.


renda de bilros

desenhos com areia colorida

colares com sementes e grãos

Mas em todos estes tipos estão presentes: a inventividade, criatividade, originalidade, planejamento, técnicas de confecção e acabamento. O artesanato revela os usos, costumes, tradição e cultura da sociedade local, regional ou do país onde o artesanato é praticado. Apesar de tudo, a arte não está dissociada do artesanato, assim como não se dissocia da economia, da política e dos padrões sociais, pois estão impregnados de ideias, emoções e linguagens da mesma maneira como estão as artes clássicas dos grandes mestres do passado. E para muitos observadores que não têm (ou nunca terão) a oportunidade de contemplar de perto as famosas obras de arte, o artesanato cria uma ligação de familiaridade entre as manifestações da cultura e essas obras.

Cada tipo de artesanato estabelece um vínculo entre o passado e o presente, portanto, o artesanato faz e conta a História.

Todo produto artesanal tem uma linguagem própria onde se podem observar os processos formais e simbólicos da criação das imagens. Algumas peças artesanais trazem uma linguagem poética, outras mais fantasiosas, e outras ainda, uma linguagem mais embrutecida, real e incômoda. Mas não é assim com as obras de arte mais famosas e mais procuradas nos museus?  Querem uma imagem mais dolorida, mais incômoda e assustadora do que a da obra “O Grito” de Munch? Ou a dor interior expressa no olhar de Van Gogh em seu “Auto-Retrato”?

Muitas pessoas afirmam que os produtos artesanais não são arte porque se prestam a fins lucrativos. Por acaso, os grandes mestres pintavam e as escondiam do público? Ou saíam a procura dos “marchands” para expor suas obras e vendê-las a bom preço? Será que os grandes mestres da pintura não precisavam de dinheiro para comer, vestir-se, pagar jantares e bebidas aos marchands, tomar condução para ir a lugares chiques (os points da época) para negociar suas obras ou para comprar tintas e pincéis para novas obras? Ou será que tudo caía do céu?

Minha gente, nossos artesãos são fabulosos e nosso artesanato é riquíssimo, vibrante, alegre e um dos mais ricos, criativos e expressivos do mundo. Por que insistimos em dizer que o que vem de fora é sempre melhor do que o que temos por aqui?


Valorize o que é nosso, da nossa tradição e de nossa cultura.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

POR QUE FALAR DE ARTESANATO?


O termo “artesanato” é derivado do termo artesão. Na antiguidade, ser artesão era um orgulho. Era uma profissão respeitada, lucrativa e reconhecida no mundo todo. A históriado artesanato se confunde com a história dos seres humanos. Surgiu no ano 6.000 a.C, ainda no período neolítico, com o polimento das pedras demonstrando a capacidade criativa dos nossos antepassados.


Na Idade Antiga, o fabrico da cerâmica para o uso do cotidiano, o descobrimento da técnica de tecer com fibras com fibras vegetais ou animais, mostrava uma nova capacidade a capacidade humana: a de produzir objetos com as coisas do ambiente e transformar essa nova habilidade como forma de trabalho.


Quando a economia da Alta Idade Média que se concentrava essencialmente na agricultura, os produtos artesanais eram praticados pelos camponeses como forma de consumo próprio e/ou de subsistência. Os artesãos, então, dividiam seu tempo entre o trabalho no campo e o artesanato. Dependiam de suas próprias habilidades, das técnicas e ferramentas à sua disposição, porém tinham uma ação limitada. E assim foi por muitos séculos.

No começo da Baixa Idade Média a produção agrícola decai. Os camponeses, agora sem trabalho, deixam a zona rural e aventuram-se nas grandes cidades. Para esses camponeses, o artesanato torna-se a única fonte de renda possível para sua subsistência.


Trabalham sozinhos ou em família. Realizam todas as etapas do processo de produção e vendem seus produtos nas feiras. Aos poucos, se organizam e passam a investir nos meios de produção como: instalações, ferramentas e matéria-prima. Muitos se tornam donos de suas próprias oficinas e são considerados “mestres artesãos”. Algunns possuem ajudantes e aprendizes do ofício. Daí o artesanato ter sido considerado na época como o grande responsável pela recuperação econômica da Baixa Idade Média.


Com o crescimento da população, o surgimento de novos mercados provocados pela expansão marítimo-comercial do século XV, do surgimento de novos polos de produção e da necessidade de uma produção mais rápida para atender as demandas, o artesanato vai perdendo espaço para outras formas de produção como a manufatura e a industrialização (ou maquinofatura). Disto resulta consequência para os artesãos como a perda do controle de suas ferramentas e oficinas; passam a trabalhar para outros comerciantes locais e empobrecem. Aos poucos tornam-se obsoletos e se transformam em operários nas industrias que começam a surgir.


Teóricos como Karl Marx e John Ruskin e artistas românticos do século XIX eram contrários a industrialização e a desvalorização dos artesãos e do artesanato. Consideravam que os produtos industrializados não tinham a mesma identificação com seus produtos como acontecia com os artesãos. Achavam que a satisfação que os artesãos sentiam ao ver seus procurados por outras pessoas passava para os compradores. Além disso, tinham liberdade para criarem novos produtos, o que não ocorria com os produtos industrializados, já naquela época.

Mas a industrialização ganhou espaço, se firmou e ganhou reconhecimento. Quanto ao artesanato passou a ser visto como uma arte menor, de segundo ou terceiro planos.

O tricô, crochê, bordados e outros sempre foram vistos como artesanato. Mas é chegada a hora de mudarmos novamente essa visão. É preciso ver novamente esses trabalhos não só como uma fonte lucrativa que alavancam as economias em declínio, mas principalmente como uma manifestação artística popular, repleta de história, tradição e cultura.

quarta-feira, 7 de março de 2018

BAINHAS ABERTAS


Que tal valorizar seu trabalho de bordado com uma linda barra ou um barrado aberto? Além de ser mais um elemento decorativo, valoriza ainda mais sua peça, caso você queira vender ou presentear.

As barras abertas não precisam ser realizadas apenas em toalhas de mesa, jogos de cozinha ou quarto. Podem também ser utilizadas na decoração de blusas e vestidos. E como ficam lindos e charmosos!

As bainhas abertas podem ser simples ou entrelaçadas. 

Você conhece o Ponto AJOUR? Também conhecido como  Ponto PARIS. Então, vamos aprender a fazê-lo assistindo ao vídeo.

BAINHA SIMPLES  COM PONTO AJOUR  

Você pode fazer essa bainha retirando mais ou menos fios do tecido. Mas sempre pegue a mesma quantidade de fios no momento de fazer o "ponto ajour" para que fiquem todos certinhos.


BAINHA OU BARRA ENTRELAÇADA

As  bainhas entrelaçadas podem ser  simples e dupla.



BAINHA ABERTA COM VÁRIOS PONTOS



BAINHA COM PONTO AJOUR E  PONTO RUSSO



BAINHA TRIANGULAR



BAINHA ASA DELTA


e outras bainhas e outros pontos que você mesma pode criar...


E então, gostaram? Lindas estas barras, não são?  E fáceis de fazer. 
Então, minha gente, mãos à obra!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

OS BORDADOS DA ILHA DA MADEIRA

Os bordados madeirenses são demorados e realizados em várias etapas. Empregam vários pontos como caseado, cavaca, arrendados, oficial, bastidor, cordão, pé de flor, francês, de sombra, o ponto ilhós, a folha aberta e o ponto de remendo ou cerzido. Mas os trabalhos mais bonitos e os que mais impressionam são aqueles em que o PONTO RICHELIEU é empregado.



Os trabalhos com esse ponto assemelham-se a uma renda. E pode ser empregado na peça toda e ou em forma de barrados. Esse ponto faz parte dos pontos abertos do bordado e possui uma técnica especial e muita habilidade das bordadeiras.

Ninguém sabe ao certo quando, onde ou quem o inventou por falta de documentos que comprovem sua origem. Supõe-se que tenha surgido na Itália, entre os séculos XIV e XVI, portanto, na Idade Média, muito provavelmente, no período da Renascença.

Talvez vocês estejam se questionando: - Como um ponto de nome francês pode ter surgido na Itália? Ou, não poderia esse ponto ter um nome italiano em vez de um nome francês? Também fiz essas mesmas questões.

Porém, ao pesquisar sobre a origem desse ponto, só encontrei suposições. A falta de registros escritos, muito comum na época, deixam dúvidas e permitem especulações. Mas, encontrei uma história que, sendo verdade ou não, permite uma explicação razoável. Então vamos a ela:

Em Paris (França), nasceu, viveu e morreu o nobre chamado Armand Jean du Plessis. Seu título de nobreza era Duque de Richelieu e de Fronsac. Muito cedo entrou para o Clero. Foi padre, bispo e, bem mais tarde, cardeal da Igreja Católica. Quem não conhece o Cardeal Richelieu, o famoso vilão dos filmes dos Três Mosqueteiros? Isto porque por ser Cardeal era político também, sendo ele quem planejou e incentivou Luís XIII a instituir o absolutismo na França, como conta a história nos livros e na escola.


Pois bem, deixando a política de lado, foquemos no cardeal. E como tal, era sua função visitar, de tempos em tempos, os conventos e seminários. Numa dessas visitas, o Cardeal Richelieu viu algumas freiras ensinando as mulheres da localidade a bordar para que conseguissem algum dinheiro para sobreviver. Era um bordado muito bonito, delicado e trabalhoso e o Cardeal pediu que as freiras enfeitassem uma de suas mitras (espécie de chapéu usado por bispos, arcebispos e cardeais) com esse bordado.


Voltando da visita, usa a mitra enfeitada ao rezar uma missa na Catedral de Paris, para a nobreza francesa. O bordado da mitra chama a atenção das aristocratas. Em outras visitas a conventos próximos a Paris, o Cardeal Richelieu pede às freiras para criarem oficinas para ensinarem esse ponto às mulheres da nobreza. Em pouco, todos os castelos estavam enfeitados com peças bordadas com esse ponto. Logo depois, as casas dos mais abastados da sociedade também eram decoradas com peças semelhantes. E em poucas décadas, as peças bordadas em ponto richelieu ganharam o símbolo de nobreza e status de opulência.

Ao pedirem uma peça bordada diziam: - com esse ponto o ponto do Richelieu. Dessa forma, o nome ficou, como uma homenagem a chamar esse ponto de “richelieu”, como uma homenagem ao Cardeal por ter sido seu maior divulgador.

Em pouco tempo, o ponto richelieu foi migrando de um lugar para outro por toda a Europa até chegar à Ilha da Madeira.

RICHELIEU... que ponto é esse?

O ponto richelieu é um caseado miúdo e como os pontos são bem juntos uns dos outros,  parecem um cordão. Esse trabalho é feito em 3 etapas:

1ª etapa: faz-se as brides (ligações) entre os motivos. Essas brides são como alças formadas sobre o tecido e presas no tecido apenas encontros dos motivos. Depois, volta-se a caseá-los um a um até o termino do trabalho.

2ª etapa: bordam-se todos os motivos maiores com esse caseado. Ex: flores, folhas ou outros. O avesso do trabalho deve ser perfeito, ou seja, sem nós ou linhas emaranhadas visíveis. 

3ª etapa: o recorte de todo o tecido em volta dos motivos e por baixo das brides para dar a impressão de renda. O caseado permite que o tecido desfie na etapa do recorte.

O ponto richelieu é lindo sempre, mas principalmente, quando bordado é feito na mesma cor do tecido.

Vamos aprender como se faz com a avó Rosária?



Agora que você já sabe como fazer este ponto, pode fazer lindos trabalhos. Então, mãos a obra.