sábado, 15 de junho de 2019

MEMÓRIA E CENSURA NAS ARTES VISUAIS


As formas de arte como: a cerâmica, desenho, pintura, escultura, gravura, design, artesanatos, fotografia, vídeo, produção cinematográfica e arquitetura são chamadas de ARTES VISUAIS. Para Foucoult (2004), as artes possuem saberes específicos e, na maioria das vezes, os artistas seguem as regras de sua formação nas suas obra ou no título delas.



Os artistas são os “sujeitos da ação”. Em suas obras, expressam o que veem, gostam e sentem. As obras são as catalizadoras das emoções do  sujeito, ou seja, expressam as alegrias / tristezas, angústias / tranquilidade, aversão / afinidades, ideologias / convicções, amor / ódio paz / guerra, etc. E esses sentimentos podem ser observados e identificados em suas obras por meio da forma, tamanho, cor, escolha ou detalhes do objeto.


Todas as pessoas querem fazer parte de algum lugar ou a um grupo não importando o seu tamanho. Esse é um sentimento essencial e normal entre os seres humanos, porque reafirma sentimento de pertencimento. E esse pertencimento estimula e se fixa na memória, em especial, na dos artistas. Razão pela qual existem as “escolas artísticas”, como o Art Déco, Barroco, Cubismo, Expressionismo dentre outras.


Porém, diante de situação de ruptura, do cerceamento da da liberdade ou de censura, os artistas tendem a refletir as condições desse momento. Ao ler um artigo, texto, livro ou ouvir uma música pode perceber facilmente os sentimentos de afastamento, oposição, diferenças ou uma relação que envolve diferentes discursos.


O artista precisa fazer uma escolha sobre o lado ao qual vai “pertencer”. Ao se decidir por um grupo minoritário, ideológico e resistente, neste caso, é o “posição-sujeito” que entra em ação. Essa escolha é favorável ao estabelecimento e desenvolvimento de uma memória marginalizada e que se firma para que o sentimento de pertencimento se instale.


Com relação às artes visuais não é diferente. O limite entre o que ver, dizer ou da forma como vão agir é uma forma de representar, partilhar e de resistir a esse estado crítico ou de exceção e reflete. E os sentimentos do fazer artístico poderão ser percebidos, sentidos e interpretados como vestígios, por meio de uma estranheza, de uma incoerência ou de uma falsa realidade.




quarta-feira, 22 de maio de 2019

“SENTIDO OBSCURO”?

Para entendermos o que é esse “sentido obscuro” de maneira fácil, é quando se diz ou se usa uma palavra escondendo o verdadeiro sentido. Não, não é um duplo sentido, como por exemplo, de palavras que se usa numa piada o com conotação que envolve a sexualidade. Mas se usa uma palavra com a intenção de esconder um propósito. Veja o título de uma canção censurada na época, de Chico Buarque de Holanda.


Cálice
Chico Buarque


Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue 
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta,
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda, a porca já não anda,
De muito usada a faca já não corta,
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta.




Reparem o título: “CÁLICE”, que lembra o que? CALE-SE. Assim, o título esconde a intenção de esconder o segundo termo. Indiscutivelmente, essa letra é um belo poema de rimas ricas, formadas por verbos, substantivos e adjetivos em versos decassílabos.

O que mais chama a nossa atenção é o interessante jogo de palavras, que a princípio parece não ter nexo, mas serve para driblar o sentido real da proposta do poeta. Outra coisa interessante, é o “apelo religioso” na primeira estrofe, que ajuda a enganar o censurador. Mas no fundo, existe sim, uma critica severa ao regime da época. Os termos censura, prisão, guerrilha, liberdade não estão ali expressos, mas está subentendido. Daí impressiona o jogo de palavras. Mas a mensagem está lá, clara como água, mas camuflada do que devia continuar sendo feito. 

Dessa forma, quando uma obra é censurada a mensagem não desaparece por completo. Ela deixa vestígios que ficam encobertos pelo uso de outros símbolos de sentido implícito que o artista ou o movimento imprime.


Porque a música foi a mais visada pela censura? Tocada nas rádios e na televisão, a música é aprendida por milhares de pessoas que a repetem não uma, mas muitas vezes e em diferentes lugares, fazendo com que a mensagem chegue ao destino desejado. Além disso, no meio do caminho, a letra da música serve mensagem subliminar para que outras pessoas entrem para o movimento. Daí a necessidade da censura devido a uma luta armada que estava causando um caos na sociedade e provocando excessos de ambos os lados.

A censura não foi uma prerrogativa do Regime Militar brasileiro, mas uma das inúmeras ocorrências usadas no processo histórico mundial. A censura imposta é uma atitude extrema diante de uma situação-problema de difícil solução e tomada para tentar desatar os nós que formaram o problema. Com certeza, silenciar, censurar, excluir e interditar a fala de alguém sem que haja uma situação-problema cuja dificuldade exija tal atitude é, simplesmente, um desejo “de poder”, “de controle” ou “de seleção ”.



E na visão do regime da época, a censura foi necessária para que as ideias revolucionárias não se espalhassem ainda mais. Tanto que, na medida em que a sociedade ia voltando a normalidade, a censura foi diminuindo até sua total extinção.

terça-feira, 30 de abril de 2019

A ARTE CONCEITUAL NO BRASIL

Como tudo o que é inovador, há os que gostam e elogiam e os que não gostam e criticam. No Brasil, não foi diferente. De 1964 a 85, o Brasil uma época difícil marcado por lutas de guerrilheiros armados. E o povo, cansado da desordem que se instalara no país, sai às ruas para pedir uma intervenção militar.


Regime Militar foi marcado por um viés conservador que objetivava trazer a ordem e o progresso no país que estava sendo atacado por grupos revolucionários. E é nessa época que surge as Artes Conceituais no país. 

As artes se apresentam de diversas formas: pintura, escultura, artes gráficas, dança que se expressavam de uma maneira nova e transgressoras ao que as pessoas  estavam acostumadas a ver. E, justamente, numa época de Regime Militar. Correto ou não, as autoridades entendiam que as Artes Conceituais tinham cunho contestador cujas propostas tinham como alvo o Estado e o regime a nível ideológico, político e social. E, partindo deste entendimento, a solução encontrada foi a censura.


No entanto, a censura atingiu com mais força a música e, mais especificamente, o canto, porque era a forma mais fácil de transmitirem as ideias revolucionárias para a maioria da população. As autoridades viam “sentidos obscuros por detrás” das palavras das letras das canções que faziam sucesso na época. Por exemplo, vejam esta canção famosa de Adoniran Barbosa:



http://pitayacultural.com.br/wp-content/uploads/2018/10/adoniran-472x640.jpg

Cantores e compositores como Caetano Veloso, Zé Keti, Carlos Lyra, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Toquinho, Belchior, Taiguara, Milton Nascimento dentre outros, tiveram suas músicas censuradas. Alguns intérpretes também foram censurados, entre eles: Elis Regina (Tiro ao Álvaro) e Gal Costa (Vaca Profana).

Se haviam ou não algo escondido, se foi ou não devaneio dos militares não se sabe e nem cabe discussão. Mas o fato é que: artistas reclamavam da censura e das prisões e alguns compositores e intérpretes foram exilados, por estarem alinhados a grupos revolucionários. 

sexta-feira, 12 de abril de 2019

O QUE SÃO ARTES CONCEITUAIS?

Durante muitos séculos, as artes eram realizadas pelos grandes mestres, eram belas e tinham uma perfeição de formas e de detalhes que impressionavam o observador. Eram um misto de delicadeza e talento.


"A moça do brinco de pérola" é obra do pintor 
holandês Johannes Vermeer 

Com o passar do tempo, os artistas decidiram experimentar novas formas e novos materiais. E com isso tudo, formaram assim um vasto repertório em que as ideias sobrepujavam o objeto artístico.

Nos anos 1970, os artistas passaram a confrontar os suportes tradicionais, já que muitas de suas experiências artísticas haviam apresentado bons resultados, como por exemplo, os trabalhos produzidos em vídeos e computadores.

obra de Sol LeWitt 

obra de Ron Mueck

Diante de uma diversidade de meios para materializar uma ideia e seus processos, realizados em suportes transitórios e reprodutíveis como as fotografias, os audiovisuais, as xerox, off-sets, postais etc, começava a ganhar corpo. Estabeleciam nova forma de linguagem artística, cujo item principal era o conceito e não mais o objeto reproduzido.


 
obras de Duchamps

Nas obras de Marcel Duchamps, nos anos 60, o artista inspirando-se em objetos do cotidiano das pessoas, reapresentava-os como elementos do seu processo criativo. Assim, privilegiava sua ideia enquanto a visão do objeto diminuía. Ainda nessa década, muitos artistas fizeram o mesmo que Duchamp. Os observadores ficaram espantados no início, mas depois acharam original e criativo.
cartaz publicitário do Grupo Fluxus

A década de 60 foi uma época de “vanguarda”, ou seja, de avanços nas experimentações. Tanto que o termo “arte conceito”, adotado em 1961, por Henry Flynt, que fazia parte das atividades de um grupo chamado “Grupo Fluxus”, de Nova Iorque.  As atividades do grupo era um movimento artístico que se opunha aos valores burgueses, ás galerias e ao individualismo. Este grupo fora criado na Alemanha um ano antes, durante o Festival Internacional de Música, cujo líder era George Maciunas.

obra em movimento

Em 1969, na Inglaterra, a revista “Art Language” foi publicada com a inscrição no subtítulo: “Revista de Arte Conceitual”. Assim, todos os trabalhos que apresentassem o uso de meios provisórios, de fácil reprodução em grande quantidade, e de um sistema alternativo de distribuição a museus e galerias de renome recebiam a denominação de “arte conceitual”. E, pouco a pouco, museus e galerias passaram a se abrir para essas novas linguagens. O resultado final é que esse tipo de arte se multiplicou e se espalhou pelo mundo afora.

Arte Conceitual foi um movimento artístico criativo e inovador que surgiu entre os anos de 1960-70, com o objetivo de reagir contra o formalismo da arte das décadas anteriores, e pretendia:

a) a valorização do conceito (ideia do artista) se sobrepondo ao objeto ou situação representada;

b) a utilização de vários materiais como suporte (performances e instalações artísticas, vídeos e outros) onde misturavam pinturas, colagens ou fotos com palavras, frases, textos, etc;

c) desenvolver uma arte voltada para a proteção ambiental, aproveitando materiais reciclados e que servissem de alertar para sua preservação;

d) uma volta ao figurativo, dando valor a forma humana, a natureza e os objetos criados pelos homens;

e) por fim, romper com o passado.

sexta-feira, 29 de março de 2019

A CRIATIVIDADE NO MUNDO DE HOJE



A “criatividade” está em alta no mundo de hoje, seja para fazer negócios para gerar valores. Ao lado dela, cada vez mais forte está a “inovação”. E quem não tem criatividade ou não sabe inovar, fica para trás no mundo atual.

Nas Artes Visuais é a mesma coisa. Só o método, só o talento ou ambos já não tem sido suficiente. É evidente que todo artista, que integra as Artes visuais, precisa ter um certo conhecimento do método e do talento para garantir ao artista a capacidade de transmitir o que deseja expressar, mas também, precisa ser criativo e inovador.

Nas Artes Visuais, o artista vale-se de um material onde aplica suas experiências, suas observações e seus sentimentos de forma a gerar beleza, despertar sensações e sentimentos nos observadores.

obras de Claude Monet

Quando se fala de Artes Visuais, logo lembramos dos grandes mestres da pintura que nos enchiam os olhos com uma beleza pura e romântica. 

  
obras de Aleijadinho (Profeta) e Michelangelo (Pietá)

Ou dos escultores que com o mármore esculpiam, com riqueza de detalhes, belas figuras humanas de deuses, profetas, heróis gregos e romanos. Sim, foi preciso muito estudo, suor, habilidade, técnica e  treinamento para reproduzirem poses, ângulos, a anatomia, a botânica, dentre outros conhecimentos.
 
  modernismo                    antropofagismo

surrealismo

Ao longo dos tempos as Artes Visuais cresceram, modificaram e se desenvolveram. Incluem-se outras técnicas, outros materiais e outras formas. Criaram escolas de estilo e marcaram épocas. Mas nunca deixou de retratar a vida, o espaço, o tempo, a época, os problemas coletivos e as contradições sociais.

Entende-se artes visuais: os desenhos, as pinturas, as esculturas, as gravuras, as artes decorativas, as fotografias, as instalações e outras.


instalação artística

Na atualidade, surge uma arte crítica, com excessivo apelo das redes sócias, que critica e questiona os governos e as formas de governar (establishment) e o próprio mundo das artes: as ARTES CONCEITUAIS.



As ARTES CONCEITUAIS serão os temas das próximas postagens.

segunda-feira, 18 de março de 2019

RECICLANDO PAPELÃO E FAZENDO ARTE

Vejam que lindo!

Serve como objeto de decoração ou um abajur diferenciado.

Aprenda a fazê-lo seguindo o passo a passo que 
o vídeo apresenta


Sugestão do canal "Mãe Criativo" do Youtube

quarta-feira, 6 de março de 2019

PORTA -CHAVES

Que tal fazer um prático porta-chaves! Você pode fazer com materiais reciclados e seu custo é quase zero. Veja como ficou bonito e aprenda a fazê-lo.

A ideia é do canal DIY Fairy House, do Youtube.