domingo, 13 de novembro de 2016

A MODA ROMÂNTICA


No começo do século XIX, as artes plásticas, a literatura, o teatro, a música, a escultura e a arquitetura apresentavam uma tendência nostálgica. O tema de suas obras era o mundo fantasioso das fadas, seres alados, reis e rainhas, deuses e deusas mitológicos, fantasmas e valentes heróis. Porém, essa tendência fica mais forte após a estreia da peça teatral “Henrique VIII e Sua Corte”, de Alexandre Dumas.
A partir de então, os rapazes passaram a querer serem cavaleiros ou corsários. Já as moças, a querer ficarem parecidas com as donzelas da época medieval, mas ao mesmo tempo, que trouxessem uma sensualidade velada. 

A Era Medieval era vista como uma era romântica e que provocava fortíssimos sentimentos e emoções, era requintada e clássica. E usaram tudo isso como expressão através da moda. Escolheram um estilo que lhes fosse inspirador: o estilo elisabetano. As mudanças começaram tímidas, com pequenas mudanças num ou em outro detalhe. Mas, próximo a 1820, as mudanças aconteceram com maior frequência.

A MODA FEMININA


Como donzelas, as moças queriam ser meigas, delicadas, sonhadoras, contemplativas e frágeis. E vem dessa vontade de serem donzelas que surge a ideia de que as mulheres são o “sexo frágil”. Deveriam ser habilidosas e prendadas no serviço doméstico, mas não precisavam trabalhar nisso porque a ociosidade feminina aumentava o status do marido. Mas, mesmo não sendo as tais donzelas, as vestes ajudavam a dar essa impressão.

Os vestidos tinham cintura alta, mais ou menos entre o busto e a cintura natural. Os vestidos podiam ser em cores claras ou vibrantes, ter estampas de florais, listas delicadas ou o xadrez (dos tecidos dos ingleses). Por cima, um colete bicudo.

Os vestidos mais fechados e discretos eram usados durante o dia. Já os usados à noite, em festas, eram mais decotados e deixavam os ombros à mostra. Estes podiam ser enfeitados com broches, colares, brincos, camafeus e pedrarias, mas sempre muito delicados. Algumas moças os usavam também nos cabelos para enfeitá-los.

As mangas eram bufantes e armadas, eram presas com fitas. Algumas levavam por cima outra maior, de tecido fino ou transparente. As saias eram volumosas, armadas com várias anáguas com muitos babados e laços, longas até o final do tornozelo deixando os pés visíveis. Os sapatos não tinham salto e combinavam com os vestidos.

Completavam o traje o leque, o xale e os mantôs. No inverno usavam casacos longos, capas e pelerines. Os chapéus voltaram a ser enormes. Durante o dia usavam uma sombrinha para se protegerem do sol ou simplesmente carregavam-na fechada para dar o toque final.


Algumas moças desejavam ter a pele morena e serem ardentes como as espanholas. Outras preferiam que a pele branca (uma brancura cadavérica). Comiam pouco para manter a silhueta e a cintura bem fina. O pior que poderia acontecer a uma moça dessa época era parecer bem alimentada e forte. As roupas e os chapéus eram pesados.  O espartilho mal permitia a respiração. O fato era que as moças se cansavam muito facilmente. O legal era aparentar fragilidade e ter a aparência doentia.  

Os vestidos muito decotados e usados à noite, as expunha ao rigoroso inverno europeu, o que também aumentavam as chances de contraírem a tuberculose.

Por volta de 1836, essa moda começou a definhar. O interesse agora eram as mocinhas cavaleiras ou caçadoras, cujos corpos eram mais robustos e as roupas mais masculinizadas. O desejo do momento era viver a vida, curtir as aventuras e terem mais experiências.

MODA MASCULINA


O estilo dândi continua com pequenas modificações. Os rapazes passaram a apreciar uma silhueta mais delgada com cintura fina com ombros mais largos. Este tipo de silhueta agradava aos rapazes das classes mais abastadas porque ajudavam a promover seu status.

No início as mudanças ocorreram com pequenos detalhes. Os coletes deixaram de ser pontudos e passaram a ser quadrados. Ganhavam duas fileiras de botões ou zíper para fechá-los. Por outro lado, eram mais apertados na cintura.

As calças ficaram mais estreitas e mais longas (até os tornozelos). Os casacos receberam ombreiras para tornar os ombros mais largos e retos.  

A capa foi substituída pelo “sobretudo”, um casaco mais longo e mais grosso e usado no inverno. A bengala era indispensável.

Os cabelos tornaram-se mais curtos. Apareceram as costeletas, os bigodes e os cavanhaques mais pontudos, como a lembrar a figura de Otelo, de Shakespeare. Sobre a cabeça, todos os homens usavam a cartola. Mas esta tinha um novo formato. Era larga nas extremidades e mais fina no centro, dando uma aparência de meia lua. Eram mais altas que o normal. E nenhum homem que se presasse deixava de usá-las.

Muito parecido com a época anterior, não é mesmo? Menos por pequenos detalhes: queriam se parecer com uma figura diabólica. Corria um pensamento na época de que homens de testa larga eram mais inteligentes e genialidade de ideias. Por isso, raspavam os cabelos próximos a testa para dar essa impressão.

Depilavam as sobrancelhas arqueando-as para dar um aspecto de ferocidade. Aparavam os bigodes para torcê-los e virá-los para cima. Deixavam crescer a barba (cavanhaque) em forma de ponta à moda da figura de Satanás. Habitavam em lugares escuros e sombrios como tumba e desejavam que os sons, ali produzidos, ecoassem como numa catedral ou num castelo vazio.

Também desejavam ter a pele azeitonada como os mouros, magros e nervosos. Treinavam olhares selvagens,  maquiavélicos e perversos ao mesmo tempo em que queria parecer apaixonados e desiludidos com um triste destino de paixões e morte. Por isso, queriam parecer maus, poderosos e mostrar certa gentileza e bondade em ocasiões propícias e raras, como se pertencessem a um mundo diferente do real. E, quando não conseguiam, fumavam certos alucinógicos que os deixavam com um olhar mais distante e mais frígido. 


Mas, apesar disto tudo, não abriam mão da distinção, a marca desse modismo. Assim, os dândis verdadeiros (nos moldes da época anterior) iam virando coisa do passado e tornando-se raros.

domingo, 16 de outubro de 2016

MODA IMPÉRIO

Com o final da Revolução Francesa, o país se deparou com muitas dificuldades. Uma delas, a financeira era uma das mais graves. A outra, uma briga pelo poder entre dois grupos: os girondinos e os jacobinos. Nessa disputa, os jacobinos assumiram o poder. Porém, embora quisessem fazer muito pelo país, detestavam que alguém discordasse de suas ideias. E pouco depois, o discordante era encontrado morto. E o povo continuava desgostoso e inconformado com a situação.


No entanto, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade espalhava-se pelo mundo. No meio de tudo isso, havia um general de quem o povo gostava e simpatizava por sua bravura: o general Napoleão Bonaparte. Por isso foi aclamado “primeiro-cônsul” pelo povo. Era um cargo importantíssimo e esse título duraria enquanto vivesse (vitalício). Aproveitando o desgosto popular e a importância do título, Napoleão e seus aliados girondinos promovem um golpe militar e derrubam o governo.  Em 1799, Napoleão Bonaparte assume o poder e declara uma ditadura. Seu governo era bastante autoritário. Em 1804, se autoproclama “Imperador da França”. Seu sonho era transformar a França numa grande potência mundial. E não mediu esforços para tornar seu sonho numa realidade. Para ampliar os domínios franceses entrou em guerra com inúmeros países europeus, inclusive com a Inglaterra.

A MODA FEMININA

Bonaparte queria fazer da França o centro mundial da moda. Apesar da vida difícil, não faltava aos franceses, elegância e bom gosto.


O destaque de moda deste período foi a imperatriz Josephine, esposa de Napoleão. Tudo o que vestia era copiado pelas mulheres do mundo todo. Uma moda e um estilo que ficou conhecido como “MODA IMPÉRIO”.

Os vestidos da moda império não variavam muito da moda diretório. Eram como um camisolão, inspirados na moda da Grécia Antiga. Eram soltos, mais amplos na parte da barra da saia do que na cintura e longos até os tornozelos. A cintura era alta (logo abaixo do busto) e com farto decote. As mangas eram curtas e bufantes. Embora simples e com pouquíssimos ou nenhum enfeite, marcaram época e mostraram o status social de quem os usava.

 
roupas para a noite

A marca inovadora destas roupas foi a diferenciação entre roupas usadas durante o dia e as usadas à noite. Haviam vestidos para cada ocasião: para ficar em casa, para encontrar as amigas, ir a compromissos sociais no período da tarde, para cavalgar, para os torneios e caçadas, para viajar etc.

roupas de montaria e para passear nas tardes francesas

As roupas do dia podiam ter gola ou não, mangas compridas ou curtas e não tinham nenhum enfeite. Já os vestidos de noite, o uso de rendas era permitido, principalmente, se fosse noite de gala.

As cores marcavam o status e o estado civil das mulheres. O branco era usado em eventos realizados à noite. Podiam ser enfeitados com rendas, fartos decotes e um tecido comprido extra, preso nas costas ou num só ombro, que funcionava como um xale e que era levado para a frente ao ser seguro por um dos braços e que davam um ar de graça e elegância. Faziam uso também luvas longas até os cotovelos.

As cores para as moças "casadoiras" variavam: rosa, lilás e azul em tons claros. Já as casadas usavam os tons mais fortes como o roxo, o vermelho, azul, amarelo e o preto.

O corset também era usado para delinear a silhueta, mas sem apertar demais como na moda rococó. Os corset escondiam aquelas gordurinhas a mais.
Destaque para o estado civil das mulheres: 
a de vermelho (casada); a de branco (solteira)

Como os vestidos eram confeccionados com tecidos finos e muito transparentes, era necessário que essa transparência não tornasse vulgar as mulheres e moças que o usavam. Por isso, criou-se a lingerie. Fazia parte dela: uma espécie de “combinação” longa como o vestido na cor da pele; uma peça usada no busto para segurá-los sem que ficassem achatados (primórdios do sutiã que usamos hoje) e uma espécie de calçola (tipo pantalona) que ia até os tornozelos.

retícula - primórdio da bolsa

Aos poucos, os rufos (mais discretos) foram voltando a ser destaque na moda. O xale (preso ou não) era essencial para a elegância feminina. Como acessórios importantes estavam as luvas, as sombrinhas, os leques e a retícula (um saco do tecido do vestido com uma alça fechava essa espécie de bolsa com um franzido. Completava o figurino, os sapatos como baixos e sem salto presos ao tornozelo, como as sapatilhas das bailarinas.

Os cabelos eram naturais, repartidos ao meio e soltos em cachos ou presos. As mulheres casadas e elegantes não saíam às ruas sem o uso dos “bonnets”, uma espécie de touca de tecido com uma aba franzida e as laterais cobriam as orelhas enfeitadas com rendas e amarradas ao pescoço com uma fita (semelhantes ás toucas de bebês). Os enfeites destes bonnets podiam ser: rendas, rufos, fitas e laços.

Alguns "bonnets":



MODA MASCULINA

Os homens adotaram o modelo inglês. Na França recebeu o nome se “dândis”. As peças do vestuário masculino eram justas ao corpo e que deixava os homens mais elegantes.


O dandismo era uma moda simples e prática. O tecido preferido era a casimira, um tecido inglês que não amassa com facilidade. Uma moda composta de peças básicas como a casaca, o colete, a calça e a camisa. A camisa era como a de outras épocas, variando apenas no colarinho que agora é duro e com as pontas voltadas para cima projetando-se para o rosto. Firmava-se o colarinho com o “plastrom”, uma espécie de lenço retangular feito de gaze. Esse tipo de colarinho dava um ar de arrogância a quem o usava. Mas era só um ar mesmo, porque na verdade, impedia a pessoa de virar ou de abaixar a cabeça. As camisas eram enfeitadas por babados.

O colete era curto e aberto na frente para mostrar os babados da camisa. As calças eram justas ao corpo e não coladas a ele, como aconteceu no rococó. Os homens não achavam bonito mostrar suas formas. A casaca tinha um corte quadrado e presas por botões (novidade da época).


Os cabelos eram naturais e curtos e era permitido o uso de costeletas ou bigodes. E completava o figurino a cartola ou o bigorne e a bengala.

A cartola todo mundo conhece, devido a copa alta. O bigorne era uma cartola com a altura duplicada. E para dar um charme a mais, o uso da bengala ia dos jovens aos senhores mais idosos.

Nos pés, os scapans. Usados com meias de seda branca, somente nas festividades noturnas. As botas para o dia a dia e a calça mais larga e para dentro das botas somente era permitido nas caçadas e para a montaria.

Assim na moda feminina, a moda masculina foi se modificando com o tempo. Os colarinhos cresceram em altura, e os homens passaram a usar um “tipo de corset” para afinar a cintura. Para não ser confundido com o corset feminino, chamaram-no de   “cinta” ou “vestes”. 

No começo era uma moda estranha. Mas com o tempo, todos os homens aderiram a ela. Uma  moda que vai até a metade dos anos de 1820, quanto tem início uma nova era na França.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O VESTUÁRIO NOS TEMPOS DA REVOLUÇÃO FRANCESA


A corte francesa vivia em meio ao luxo e riquezas. Gastavam muito com a decoração dos palácios, exagero nas roupas, com guerras com outros países, estava produzindo muito pouco e cobrava impostos altíssimos para sustentar o luxo da corte. O povo estava insatisfeito e já não aguentava mais.


Em 1789, diante de tanta injustiça e desagrado, explode uma revolução, que ficou conhecida como “Revolução Francesa”. Havia muitas batalhas entre o povo e os governantes por todo canto. Muita gente foi presa (ou morta) de ambos os lados. Os monarcas e seus aliados lutavam para manter o poder e seus privilégios. O povo lutava pela liberdade, igualdade de direitos e mais humanidade nas relações entre todos. De 1789 a 1799, a França viveu tempos difíceis.


Embora os monarcas vivessem se indispondo com a Inglaterra, todos gostavam das ideias e dos tecidos fabricados pelos ingleses. E é claro, que a monarquia inglesa estava sempre de olho nos acontecimentos da França. E sabendo do descontentamento do povo em relação aos excessos da corte, tratou de “botar suas barbas de molho”.


Em 1760, a maioria dos burgueses ingleses viviam no campo. Vivam sem o luxo da corte e se vestiam de acordo com a região campestre onde moravam. Vestiam-se com roupas mais práticas e simples, mas sempre muito distintos e elegantes.  E nos tempos difíceis que a França passava, essa moda chegou por lá.

É claro que os costureiros e alfaiates franceses, que ganhavam muito dinheiro e prestígio com os exageros e luxos da corte, não gostaram e diziam que era uma moda para o “populacho”. No entanto, diante das dificuldades financeiras que todos enfrentavam, não restava outra alternativa senão aceitá-la.

Em 1794, o povo francês conseguiu dominar o poder e tomar as rédeas da situação. Mas ainda aconteciam batalhas aqui e ali. Foi escolhido um grupo de pessoas para governar a França por um período de cinco anos e que ficou conhecido como “ período diretório”. Em 1799, finalmente, a revolução acabou. Mas a situação ainda estava muito complicada para os franceses que tiveram que reconstruir o país e colocá-lo nos eixos.

Assim, a moda das roupas campestres, simples e práticas, continuaram até 1815 e ficaram conhecidas na história do vestuário como “moda diretório”.

 

MODA MASCULINA

A moda era agora uma roupa mais simples e ganhando tons mais escuros, portanto, mais sóbrias. Também perderam os galões, os bordados e as pedrarias. As perucas foram abolidas, mas deixar de usá-las foi a gradual. A moda agora eram os cabelos ao natural.

O corte das roupas e as costuras perfeitas eram as marcas da qualidade do vestuário. As calças continuaram abaixo do joelho e justas nas pernas (tipo corsário), mas não tão justas como anteriormente. As calças tinham bolsos (do tipo faca).

Os coletes ficaram mais curtos e os casacos, mais compridos. É quando aparecem os fraques. Todos em tecidos lisos. Os colarinhos das camisas ficaram mais altos e podendo ser usado com um lenço ao redor do pescoço e sobre o colarinho.

Os sapatos também mudaram. Eram agora “scarpins” e usados com meias de seda longas e brancas nos eventos à noite. Usavam também chapéus de copa alta, precursores da cartola.


A MODA FEMININA




A mudança na roupa feminina foi drástica. Foram abolidos os tecidos pesados, as ancas e outras armações, os corselets e panniers e feitos com tecidos finos como a cambrais, a musselina e o morim vindos da Inglaterra. A cintura subiu ficando na abaixo do busto. 

A saia era longa e ampla. Como esses tecidos eram transparentes, as mulheres usavam uma espécie de combinação branca ou rosa por baixo desse vestido. O decote ainda era bastante pronunciado, mas podia ser usado com uma camisa por baixo.  Havia pouquíssimas diferenças entre as roupas do dia e as da noite. 

No inverno usavam por cima um spencer curto (tipo bolero) da cor do vestido e no inverno, um casaco longo (chamado redingote) enfeitado com pele de animais.


Como os tecidos dos vestidos, por serem quase transparentes, não admitiam bolsos. As mulheres então, usavam uma bolsa feita de tecido (tipo saco) que denominavam "retícula". Os sapatos eram na verdade, sapatilhas baixas e sem salto. O chapéu eera indipensável.


A MODA INFANTO-JUVENIL


 

Os meninos e meninas, rapazes e moças passaram a se vestir semelhante aos  adultos do seu gênero. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A MODA NO PERÍODO ROCOCÓ


Louis XIV no leito de morte

Quando o Rei Louis XIV morreu, quem assumiu o reino da França foi seu neto que contava com 5 anos de idade. Por isso, durante 15 anos, o governo da França foi governado por um regente. Já crescido, aos 20 anos, o novo rei assume o trono. Esse rei é Louis XV, um homem estudado, amante das letras e das artes. É nessa época que começa um novo período da história: o “Período Rococó” que vai de 1730 a 1789, quando se dá a Revolução Francesa.
Esse período é marcado pela falta de moderação em todos os setores. Cheio de excessos e exageros atingiram a arquitetura, as ciências e as arte. O luxo e a pobreza nunca foram tão flagrantes quanto neste período. A riqueza e a pompa na decoração dos castelos encobriam a pobreza do povo francês. Os caprichos, as bizarrices e a excentricidade eram a tônica deste tempo.


pintura do período Rococó

Mas também foi um período em que as artes ganharam muita luz. As telas ganharam vida com um colorido mais vivo, cheios de detalhes da natureza. Um período em que a natureza e seus elementos eram vistos com toda sua beleza natural. Discussões, argumentações e justificativas sobre a natureza eram a preocupação dos filósofos da época. Uma ideia que se propagou em tudo o que faziam. A moda eram os enfeites e decorações sobre o tema. Nem é necessário dizer que essa moda atingiu o vestuário e seus acessórios, não é mesmo?

A MODA FEMININA
Se na época barroca haviam excessos, na era Rococó os exageros continuaram a todo vapor. Os cabelos continuavam compridos e os cachos continuavam na moda. Porém, os cabelos femininos passaram a ser presos nas laterais ou na nuca e as pontas terminavam em uma profusão de cachos.
As mulheres da realeza e da nobreza usavam verdadeiras arquiteturas nos cabelos, montadas com armações de arame ou almofadinhas para dar volume (as frontages) no alto da cabeça. Essas “fontages” eram cobertas pelos cabelos. Dessa maneira, os penteados ficavam enormes, trabalhados com muitos detalhes e muito pesados. Sem falara que eram bastante incômodos. Além disso, recebiam enfeites de flores, chapéus, fios de pérolas ou apliques de pedras preciosas.


 

Há quem diga que haviam frontages de um metro de altura. A moda entre a realeza e suas cortesãs era quanto maior e mais alto, melhor seria. Mas para que esse exagero? Simples. Para ostentar riqueza e poder.

Os chapéus contrastavam com a altura do penteado. Os mais altos recebiam chapéus pequenos. Os penteados mais baixos recebiam chapeús maiores, enfeitados com flores, folhagens, penas, laços e rendas que cobriam o rosto ou a pare dos olhos. Algumas vezes, colocavam uma tiara ou arranjos florais, mas dependia da ocasião, como por exemplo, um passeio no campo.
As mulheres ricas gastavam horas para se pentearem. Além do que, o peso de todo o aparato, era bastante incômodo. Mas o tempo “do exagero do exagero” durou pouco. Logo vieram os cabelos mais baixos, com penteados com mais detalhes (tranças, torcidos e cachos) enfeitados com menos extravagância e mais bom gosto.


Uma das figuras mais expressivas desta época foi Maria Antonieta, esposa de Louis XV e rainha da França. Uma mulher polêmica, de gostos excêntricos e supérfluos. Mulher que foi amada por poucos e odiada por muitos. Mas, suas roupas, os penteados, chapéus e sapatos ditavam moda e serviam de inspiração para o mundo todo. Foi a partir da entrada de Maria Antonieta na História, que a França se tornou o centro de referência da moda.
O Período Rococó foi a época em que os alfaiates e costureiras tiveram muito prestígio e eram cercados pelas honras palacianas, devido a originalidade, a criatividade e a valorização dos corpos femininos nas roupas que faziam.



Para dar uma forma perfeita ao corpo feminino, as costureiras inventaram os “espartilhos” que eram muito apertados e com decotes bastante cavados e deixavam parte dos seios a mostra. Sobre eles vinha uma peça triangular feita de tecido bordado ou enfeitado com fitas, rendas ou babados e que encaixavam no decote e prendiam na cintura. Eram chamados de “corselet”.
Alguns corselets apresentavam mangas falsas. Mas essas mangas eram mais curtas e mais justas que as mangas barrocas e arrematadas com os mesmos enfeites do decote.

Para os quadris ficarem mais volumosos, as mulheres usavam armações laterais feitas de arame grosso. Conta-se que essas armações eram tão grandes que não passavam nas portas dos palácios. Por isso, precisaram ser alargadas. Para dar volume na região das nádegas, criaram-se as “anquinhas”, também feitas de arame. E sobre elas iam as anáguas, as saias e as sobressaias, geralmente abertas na frente dando visibilidade para a saia.

 
                           armações laterais                                         anquinhas

Os tecidos também ganharam desenhos de flores e outros elementos da natureza que estavam na moda. Esses desenhos eram feitos em fios de seda e que contrastavam com um tecido de fundo da mesma cor e opaco.

Para completar o vestuário e combinar com o restante, sapatos de salto mais alto e enfeitados com fitas e laços.

MODA MASCULINA


Os homens usavam uma calça justa até os joelhos sobre uma meia uma meia longa e branca. Um camisolão curto e com mangas (precursor da camisa) arrematadas com um babado de renda. Podia ter ou não ter gola.

Por cima desse camisolão, usavam um colete que podia ser igual ou contrastando com tecido da calça e da casaca. Sobre o colete usavam uma casaca comprida até os joelhos ou um pouco acima dele, do mesmo tecido e cor da calça. Essa casaca era acinturada e fechada à frente por alguns botões. Era também bordada ou enfeitada com fitas.

Como uma espécie de gravata, os homens usavam um “jobot”, uma espécie de babado feito de renda larga ou de um tecido fino e acabado com uma renda estreita. Para combinar e completar o vestuário, sapatos com salto alto e enfeitado por uma fivela.

                          perucas curtas                                         perucas mais longas

Os cabelos masculinos deviam ser longos caindo sobre os ombros. Mas, conta-se a boca pequena, que o rei Louis XV, ao ganhar mais idade, foi ficando careca. Vaidoso como era, logo mandou que lhe confeccionassem uma peruca. E assim virou moda. Cortesão que quisesse estar bem apresentável, tinha que usar peruca.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O VESTUÁRIO NO PERÍODO BARROCO

O período barroco (de 1600 a meados de 1700 d/C) caracterizou-se pelos excessos, fossem eles na decoração dos castelos, na arquitetura ou nas artes em geral. Os pintores executavam suas obras com luz e sombra e mostravam a austeridade e a melancolia de uma época incrível.

Os tons mais claros (luz) representavam os momentos de alegria e de euforia. Já os tons mais escuros representavam as durezas da vida, os anos de humilhações, revoltas e as recriminações dos Luteranos para que a Igreja trouxesse de volta das regras e das atitudes mais rígidas.

Os excessos beiravam ao exagero, também atingia em cheio os vestuários feminino e masculino.

No início dos anos de 1600, as pessoas ainda se vestiam como no período do Renascimento. A única novidade é que, ao final do século anterior haviam surgido os “rufos”, uma espécie de gola pregueada, alta e enormes feita de renda, que se usava em torno do pescoço e por cima da roupa. O mesmo motivo se repetia nas mangas. Mas, por volta de 1627, homens e mulheres passaram a se enfeitar mais.

A MODA DA REALEZA


No período barroco, os homens mais ricos usavam cabelos compridos abaixo dos ombros, mas agora, com cachos. Passaram a se barbear, deixando o rosto a mostra. No entanto, conservavam o bigode que, era mais fino que o anterior. Como a moda era “enfeitar-se”, os homens passaram a usar chapéus de abas largas e enfeitados com plumas. Nos pés sapatos baixos com sola inteiriça ou botas de cano longo.
As roupas mantinham o exagero da época. Usavam um tipo de bermuda larga e presa aos joelhos com babados de renda e laços, sobre meias longas feitas de seda brancas ou coloridas para combinar com o vestuário. Por cima, usavam uma espécie de saia. Por cima disto tudo, ia um paletó acinturado (marca da época) e enfeitado com jabô de renda, em substituição aos rufos. 



As roupas femininas ganharam mais volume, eram muito pesadas e com o uso de grande quantidade de rendas. Perderam os rufos e ganharam golas de renda enormes, feitas de rendas. O traje feminino completo era composto de uma camisa de linho, espartilho (que modelava a cintura e o quadril), decote bem marcado e baixo, 8 anáguas (para dar volume) e por cima uma saia aberta para mostrar a última anágua (forthigale – como eram chamadas). 

Uma curiosidade sobre as anáguas é que as primeiras tinham uma armação de arame. Outras seis levavam bastante pano para esconder esses arames e, na barra, enfeitadas com gaze ou rendas. Por fim, a oitava era bem bonita e enfeitada com bordados ou laços de fita. Completava o vestuário um manto (pesado ou leve conforme a ocasião e o modelo do vestido), chapéu e um par de sapatos com pequenos saltos quadrados.

Os chapéus eram muito altos. A altura era dada por armações de arame (chamados fontage) e forrados com gazes ou rendas e laços de fita. As mulheres sempre gostaram de usar joias para se enfeitar. Nesta época, quanto mais fossem usadas e misturadas umas ás outras, melhor era.


ROUPAS DE TODOS OS DIAS NAS CORTES

 
Neste tempo, destaca-se a fabricação dos brocados, veludos, sedas e tafetás grossos usados em roupas para sair ou para festas. Habitualmente e para ficar em casa, o homem comum usava uma espécie de bermuda bufante e larga presa na altura da coxa (ainda detalhes do renascimento) sobre umas meias longas, bota de salto e chapéu de abas.

As roupas femininas e masculinas ganharam mais volume e enfeites exagerados, mesmo quando não haviam compromissos.

Já as mulheres usavam uma roupa cilíndrica, combinada com um espartilho. Festão ou rufos ao pescoço feito em renda de bilro, proveniente da Itália. A mesma renda aparecia nos punhos das mangas de uma espécie de casaco acinturado. 

Os cabelos femininos eram compridos e divididos ao meio e preso num coque alto e adornado com pérolas. Já a moda de cabelos masculinos exigia cabelos longos e soltos sobre os ombros, barba aparada, com ou sem bigodes finos e costeletas bem pronunciadas. 

O DECRETO

Em 1933, surge um decreto, com o selo de Louis XIV, determinava que os cortesãos e suas senhoras deveriam vestir-se como mandava o decreto.  A realeza e seus nobres evitavam que as roupas usadas por eles fossem copiadas pelas classes mais baixas e fazendo com que a distinção social ficasse clara.


Os homens deveriam usar calças soltas. gibão (uma espécie de camisa) com mangas largas e punhos de renda, casaco curto por cima e com gola de renda baixa, e uma capa (manteaux) sobre um dos ombros. Deviam calçar botas de cano curto em forma de funil e um chapéu de abas cujo único enfeite era uma pluma. Podiam usar barba desde que tivesse forma triangular.

As mulheres deveriam usar uma camisola por baixo e várias anáguas. Sobre esta camisola vinha a peça principal que era uma saia (tambor, como era chamada) e um corpete amarrado na frente. 

A saia poderia ter três camadas de babados, para que tivesse uma aparência mais agradável e que foram chamadas de secreto (a mais comprida), modesto ( a do meio) e malandro (a mais curta). Como detalhe, a saia podia ter uma abertura mostrando a última anágua. O decote podia ser audacioso. O penteado (ou Egret) deveria ter uma franja encaracolada e visível. 



Em 1643, no reinado de Louis XIV, a França ganha o título de “O País da Moda” e influencia todos os países próximos e distantes. Como Louis XIV era baixo, gordo e careca, ele passou a usar roupas que lhe “parecia esconder” seus “defeitos”.

A partir de então até 1660, os homens comuns passaram a usar habitualmente uma jaqueta curta, calças retas (rhigraves) e justas até a altura dos joelhos de onde se prendia um enorme babado terminando com fita ou renda. Por cima, um novo babado que dava a aparência de saia. No pescoço um lenço com borda em renda  Para combinar, botas de cano curto e com salto mais confortável e na cabeça, as famosas perucas (hat), que foram usadas por muito tempo.


As mulheres, usavam um saia sobre os farthingales (anáguas). Como acessórios, os strass e decote canoa que deixavam os ombros a mostra. O “muff” era feito de pele de animais e servia para aquecer as mãos durante o rigoroso inverno europeu. Nos tempos ensolarados e quentes, os penteados subiam, as franjas encaracoladas davam ao rosto, um certo ar de “desleixo” ou de “casualidade”. O uso de sombrinhas foi o ponto alto da época e perdurando por muito tempo.

 A MODA DAS PESSOAS COMUNS

Tudo era muito simples e lembrava ainda as roupas do início do renascimento.



De 1660 a 1715, o período dos exageros começa a declinar. As jaquetas aparecem como a peça mais importante do vestuário masculino. O comprimento das calças é maior, abotoados, mais justo ao corpo. Há também a presença de bolsos. As mulheres comuns vestiam-se com um vestido simples e largo atado á cintura por um colete amarrado com fita ou por botões. Na cabeça uma espécie da capuz e manto que cobriam os ombros. Sapatos de salto mais alto nas cores preta e vermelho eram os mais comuns.